este teatro de sonhos obscuros,
finjo que nada existe alem daquela porta,
aqui eu me firo,
me amo e me odeio...
Eu já não me vejo,
meu reflexo me traiu,
para ver que este anjo sombrio
trás um coração ferido,
e já não existe salvação
nesta escuridão artificial...
Minha alma foi dilacerada
na escuridão dos meus dias,
eu tento fingir importância
eu tento encontrar um motivo,
mas sob a noite o que vale é o coração.
Pode o espelho refletir
aquele que a noite moldou?
Pode o homem por fim,
naquele que as trevas imortalizou?
entre os ósculos hemotorpe da vertigem,
um lago sombrio de obscuras margem,
toca o real e se fende.
Mensageiro de discórdia,
num semblante inocente,
oculto um negro coração
obscurecido em glória.
Olhos ávidos tornando um esmero,
e fogo e paixão a escória...
Na penumbra hematófago e soturno ser,
lamenta seu destino,
a face da blasfêmia,
pois em perfeição ao perfeito
de semblante és tão semelhante.
Esquerdo e divino,
caminhando pelos vales da perdição,
não mais és ó sinete da perfeição...
Converta o dia em noite,
para assim suportar sua dor,
vestindo-se de escuridão e terror,
noite após noite alimenta-se de sangue,
carne, alma e temor.
“Então olhe para min sem pudor.”
Ao longe soaram vitoriosas as trombetas inimigas,
O gosto amargo da derrota feriu meus lábios contaminando minha alma, como tão glorioso anjo decaiu ao mais profundo abismo? As estrelas entoam seus cânticos em alegria, pois é calada a voz do acusador, é dispersada a sua orla, é manchada a sua vaidade, e calado o seu brado que um dia fez tremer as nações. Vê-se um brilho intenso, uma bola de fogo desbravar os céus e atingir violento o solo, e aquilo que foi perfeito já não é, o sorriso se apagou, e a amargura fez murchar toda beleza e glória, e o sinete da perfeição é batizado pelo nome de inimigo, e a serpente passou a rastejar, mas ainda se pode confundir luxuria com fascínio e beleza, talvez tão perfeito um dia em formosura não mais desperte deste pesadelo, há um sonho secreto em um jardim sombrio, onde suas asas ainda podem sobrevoar os céu, ofuscar o brilho do sol novamente e ser glorificado em sua ordem, mas os dias de prazer em fazer o bem cessaram, a angustia as vezes eleva o pensamento, mas jamais se permitira confessar o desespero que é ter que olhar para cima para amaldiçoar o criador. E na tristeza de não mais ser quem foi, na amargura da descoberta que sem o sol a lua não brilha, eis que ele se arranja em batalha e a beleza da guerra esta nas inúmeras faces e jogos, apenas um teatro nas sombras... O menor se tornou o maior, a pedra de rejeição tornou-se a pedra angular, e foi chamado de filho, ferindo seu orgulho no mais profundo intimo, mas chega o momento de renascer, conquistar o que julga lhe pertencer, mas nisso também a temor, pois se tudo for conquistado hoje, o amanhã não terá sentido... E tudo se resume em apenas um jogo dos deuses, e aqueles que não pertencem a nenhuma ordem dos demônios, aquele que não pertence a nenhuma ordem dentre os anjos, aquele que não pertence a nenhuma ordem dentre os meio anjos e meio demônios, aquele que não pertence à classe dos deuses, são alvo para este jogo incompreensível para muitos, e mesmo os que podem entender, entendem apenas em parte, superficial é o conhecimento que o homem tem sobre os motivo que os deuses tem para os manipular, jogar, ferir, curar, amar e matar.
Amigos
“Para Jéssica”
Faça minhas mentiras tornar-se tão pura quanto a sua verdade,
Faça meu sorriso tornar-se tão claro quanto sua alma,
Talvez a luz não fira os meus olhos
talvez eu me torne apenas um cego na noite,
eu posso abandonar meus pesadelos
e viver um momento de luz
em seus braços.
Faça minhas asas tornarem-se tão puras e brancas quanto as suas,
Faça me ver luz através da escuridão,
e talvez ela não fira os meus olhos,
talvez eu me torne apenas um cego na noite,
eu posso abandonar meus pesadelos
e viver um momento de luz
em seus braços.
Dizem que os vampiros não podem amar,
Eu sonhava... Mas meu coração foi ferido,
nas sombras cicatrizou-se obscuro...
Olhei para o céu quis voar para longe,
mas minhas asas foram ceifadas,
a angustia me tornou soturno...
Na escuridão resgatando minha alma,
vendo tudo se perder,
ressurgi do abismo privado de sentir,
apenas um coração sombrio, frio, um coração de metal...
Obscurecido ao longo das eras,
chorando só na escuridão,
um anjo para o fim, pronto para voar acima da escuridão
e nunca mais cair adornado a estas asas de metal,
De tanto purificar no fogo
esta alma jaz sombria agora,
em tanto chorar revendo o que um dia perdi
arranquei os olhos,
para que nunca mais isso pudesse me ferir...
O clã
Éramos jovens e belos,
e acreditávamos isso jamais mudaria,
trazia-mos fogo e paixão no olhar,
ainda havia sentido no existir,
mas todos estávamos sob o mesmo destino de Icarus,
é doloroso em lágrimas contemplar,
o medo no instante no instantes
que as asas partidas irão nos abandonar,
e o coração orgulhoso,
do céu é lançado ao mais profundo abismo.
Onde poderemos ocultar nossos corações agora?
Um esconderijo de sombras,
onde jamais iremos nos ferir,
onde manteremos nossos sonhos
e realizar seja tão fácil quanto sonhar.
Eu os trago...
Ainda estou contemplando o luar a vosso lado,
meus cabelos ficam brancos,
minha guitarra desafina,
mas eu ainda sou jovem e belo,
ainda estou vivendo aqueles dias
em que éramos eternos,
eu ainda estou voando para o sol,
vivendo um instante eterno em minhas lembranças...
Em meus pensamentos.
“Quisera fosse outros tempos,
onde você me dava uma palavra
e eu fazia um poema”.
Eliaxe Mondarck