Fragmento_02
Ao longe soaram vitoriosas as trombetas inimigas, o gosto amargo da derrota feriu meus lábios contaminando minha alma, como tão glorioso anjo decaiu ao mais profundo abismo? As estrelas entoam seus cânticos em alegria, pois é calada a voz do acusador, é dispersada a sua orla, é manchada a sua vaidade, e calado o seu brado que um dia fez tremer as nações. Vê-se um brilho intenso, uma bola de fogo desbravar os céus e atingir violento o solo, e aquilo que foi perfeito já não é, o sorriso se apagou, e a amargura fez murchar toda beleza e glória, e o sinete da perfeição é batizado pelo nome de inimigo, e a serpente passou a rastejar, mas ainda se pode confundir luxuria com fascínio e beleza, talvez tão perfeito um dia em formosura não mais desperte deste pesadelo, há um sonho secreto em um jardim sombrio, onde suas asas ainda podem sobrevoar os céu, ofuscar o brilho do sol novamente e ser glorificado em sua ordem, mas os dias de prazer em fazer o bem cessaram, a angustia as vezes eleva o pensamento, mas jamais se permitira confessar o desespero que é ter que olhar para cima para amaldiçoar o criador. E na tristeza de não mais ser quem foi, na amargura da descoberta que sem o sol a lua não brilha, eis que ele se arranja em batalha e a beleza da guerra esta nas inúmeras faces e jogos, apenas um teatro nas sombras... O menor se tornou o maior, a pedra de rejeição tornou-se a pedra angular, e foi chamado de filho, ferindo seu orgulho no mais profundo intimo, mas chega o momento de renascer, conquistar o que julga lhe pertencer, mas nisso também a temor, pois se tudo for conquistado hoje, o amanhã não terá sentido... E tudo se resume em apenas um jogo dos deuses, e aqueles que não pertencem a nenhuma ordem dos demônios, aquele que não pertence a nenhuma ordem dentre os anjos, aquele que não pertence a nenhuma ordem dentre os meio anjos e meio demônios, aquele que não pertence à classe dos deuses, são alvo para este jogo incompreensível para muitos, e mesmo os que podem entender, entendem apenas em parte, superficial é o conhecimento que o homem tem sobre os motivo que os deuses tem para os manipular, jogar, ferir, curar, amar e matar.
Fragmento_03
Se meu despertar paira sob sombras os meus olhos castanhos quase vermelhos perdidos no devaneio contempla em agonia esta luz ferindo minha alma...
Cinzas e pétalas secas de rosas sobre um poema amargurado, apresso-me para falar de amor, finjo ainda ter coração protegido da escuridão a ponto de poder amar de novo...
Tudo aqui cheira a morte, não há vida nesta eternidade sangrenta, e os sinos dobram tornando estas rezas vazias, contemplo a penumbra consumir os últimos raios de sol, e eu me encontro só, no campo a alma de um a fera, a sede de um vampiro, uma amor distante e uma eternidade para chorar estas lagrimas de sangue...
Apesar de sego eu vejo claramente, um instante em toda a eternidade feito para amar, uma chance em min tornando o coração a bater...
E na insegurança correndo através do campo e da noite, eu me entrego quebrando a máscara, em um instante em toda esta eternidade sombria feito para amar...
Então chega a tempestade e o furacão, apenas lagrimas de sangue sobre uma lápide fria, tudo é apenas um instante, eu quero entender, minha mente vive um único momento, e todo este despertar torna ao pó como seu instigador, eu preciso me lembrar de quem eu sou, e quantas lágrimas se tem que derramar por um sentimento efêmero...
Nenhum comentário:
Postar um comentário