sexta-feira, 13 de julho de 2007

Devaneios









Fragmento_01






A sombra do crepúsculo, voando acima da perdição, e na dor de trazer estas asas quebradas pela realidade, o frio desta solidão converte em inverno toda esta estação. No circulo dos malditos, ser de alma pura e tão proscrito, desperta dos mistérios do fim, sorrindo para todo caos que há por vir. Na sombra do seu olhar escondo todos os meus segredos, fazendo destas sombras lugar seguro para meu repousar, aquecendo-me do frio nos braços do inimigo sem jamais me preocupar. Quando o vento soprar, e a folha seca anunciar o outono, neste espinho quero eu me deleitar e minha alma jamais encontrará seu dono. Se o vento não deixa suas lágrimas caírem, talvez este solo não seja digno de nós, em um santuário no centro da perdição, encontraremos paz nesta escuridão, e você poderá enfim repousar eternamente segura em meu coração.






Fragmento_02




Ao longe soaram vitoriosas as trombetas inimigas, o gosto amargo da derrota feriu meus lábios contaminando minha alma, como tão glorioso anjo decaiu ao mais profundo abismo? As estrelas entoam seus cânticos em alegria, pois é calada a voz do acusador, é dispersada a sua orla, é manchada a sua vaidade, e calado o seu brado que um dia fez tremer as nações. Vê-se um brilho intenso, uma bola de fogo desbravar os céus e atingir violento o solo, e aquilo que foi perfeito já não é, o sorriso se apagou, e a amargura fez murchar toda beleza e glória, e o sinete da perfeição é batizado pelo nome de inimigo, e a serpente passou a rastejar, mas ainda se pode confundir luxuria com fascínio e beleza, talvez tão perfeito um dia em formosura não mais desperte deste pesadelo, há um sonho secreto em um jardim sombrio, onde suas asas ainda podem sobrevoar os céu, ofuscar o brilho do sol novamente e ser glorificado em sua ordem, mas os dias de prazer em fazer o bem cessaram, a angustia as vezes eleva o pensamento, mas jamais se permitira confessar o desespero que é ter que olhar para cima para amaldiçoar o criador. E na tristeza de não mais ser quem foi, na amargura da descoberta que sem o sol a lua não brilha, eis que ele se arranja em batalha e a beleza da guerra esta nas inúmeras faces e jogos, apenas um teatro nas sombras... O menor se tornou o maior, a pedra de rejeição tornou-se a pedra angular, e foi chamado de filho, ferindo seu orgulho no mais profundo intimo, mas chega o momento de renascer, conquistar o que julga lhe pertencer, mas nisso também a temor, pois se tudo for conquistado hoje, o amanhã não terá sentido... E tudo se resume em apenas um jogo dos deuses, e aqueles que não pertencem a nenhuma ordem dos demônios, aquele que não pertence a nenhuma ordem dentre os anjos, aquele que não pertence a nenhuma ordem dentre os meio anjos e meio demônios, aquele que não pertence à classe dos deuses, são alvo para este jogo incompreensível para muitos, e mesmo os que podem entender, entendem apenas em parte, superficial é o conhecimento que o homem tem sobre os motivo que os deuses tem para os manipular, jogar, ferir, curar, amar e matar.


Fragmento_03



Se meu despertar paira sob sombras os meus olhos castanhos quase vermelhos perdidos no devaneio contempla em agonia esta luz ferindo minha alma...
Cinzas e pétalas secas de rosas sobre um poema amargurado, apresso-me para falar de amor, finjo ainda ter coração protegido da escuridão a ponto de poder amar de novo...

Tudo aqui cheira a morte, não há vida nesta eternidade sangrenta, e os sinos dobram tornando estas rezas vazias, contemplo a penumbra consumir os últimos raios de sol, e eu me encontro só, no campo a alma de um a fera, a sede de um vampiro, uma amor distante e uma eternidade para chorar estas lagrimas de sangue...

Apesar de sego eu vejo claramente, um instante em toda a eternidade feito para amar, uma chance em min tornando o coração a bater...
E na insegurança correndo através do campo e da noite, eu me entrego quebrando a máscara, em um instante em toda esta eternidade sombria feito para amar...

Então chega a tempestade e o furacão, apenas lagrimas de sangue sobre uma lápide fria, tudo é apenas um instante, eu quero entender, minha mente vive um único momento, e todo este despertar torna ao pó como seu instigador, eu preciso me lembrar de quem eu sou, e quantas lágrimas se tem que derramar por um sentimento efêmero...

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